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  1. Saudação aos novos acadêmicos

    segunda-feira, 31 de outubro de 2011


    Até o século V os mosteiros tinham, além da incumbência religiosa a função de serem guardiões do saber: viver e transmitir cultura. Junto aos textos sagrados difundiam-se os romances épicos gregos, traduzidos para o latim pelos monges. A literatura clássica grega de Ésquilo, Sófocles, Eurípedes, as comédias de Aristófanes com seus enredos cheios de aventuras, os alicerces da filosofia, construídos por Sócrates e Platão, eram muito apreciados como literatura profana.
    A partir dos relatos heróicos das primeiras cruzadas, os temas passaram a ser adaptados, dando origem à literatura que contava os feitos maravilhosos dos cavaleiros cristãos para a população do mundo então conhecido. A partir dessa data, os escritores elegem o que consideravam significativo no momento histórico e cultural que vivenciavam, fornecendo dados para a sociedade.
    Textos de livros conseguem integrar a estrutura intelectual dos grupos sociais; porque são considerados símbolos de liberdade, conseguida através de conquistas culturais; por isso, o escritor deve colocar-se a serviço da coletividade, semeando palavras, sugerindo revelações memorialistas, estreitando laços fraternos entre os que compõem a sociedade coletiva. Através da literatura, é possível levar sonhos e esperanças para a sociedade, e ela expressará seus sentimentos ao mundo.
    A literatura é eterna e não tem fronteiras. Com ela, somos capazes de organizar nosso conhecimento, saber o que se passou na antiguidade, absorver o conhecimento grego, as leis romanas, o código de Hamurabi, o Direito escrito, as noções de medicina dos sábios orientais.
    Homens e mulheres de letras, devem levar cultura às cidades onde existem pessoas que nunca foram ao cinema, ao teatro, nunca ouviram um concerto, nunca recitaram nem ouviram um poema, não sabem o que é uma ópera. Estas cidades existem e não são burgos perdidos no sertão do nordeste ou na Amazônia. São áreas do mundo onde assistimos a história mover-se, sacudindo séculos de tradição, de costumes, de vida e de inércia. Mas aí, nestas cidades, devem existir algumas poucas pessoas que lêem. O livro tem esta capacidade de chegar aos rincões mais distantes e fazer pessoas felizes.
    Os que escrevem inventaram a ficção para poder viver as muitas vidas que gostariam de ter. Sem a ficção, o homem seria menos consciente da importância da liberdade. A leitura é a coisa mais importante que acontece ao homem, ela é capaz de nos alegrar, causar sofrimento, surpreender e abrir horizontes além de unir as pessoas, independente de fronteiras sociais, nacionais, costumes e questões religiosas.
    Prezados confrades, acadêmicos que conosco se abrigarão sobre o pavilhão azul, dessa casa de cultura, com prazer e honra eu os abraço e parabenizo pela conquista. Vocês foram os escolhidos entre um grupo, pelo seu talento literário e mérito pessoal. São pessoas de expressão dentro da comunidade e pelo seu caminhar, doravante devem levar o histórico desta casa ao local onde exercem liderança.
    Vamos conviver por muitos anos neste colegiado, tendo a ética como base, e elaborando um convívio sincero e leal. A lealdade é a essência das amizades profundas e duradouras.
    Ser acadêmico é uma honra para todos nós, mas só poderemos desfrutá-la através de nosso talento e do nosso trabalho pela cultura.
    A Academia, disse Vivaldi Moreira, Presidente da Academia Mineira de Letras, “é a sombra dos grandes homens” se formos grandes ela também o será.
    Amigos confrades, Bem vindos à Academia Valadarense de Letras! Não somos a Távola Redonda do Rei Artur, mas agiremos como o fossemos. Nossa luta porém, será pela cultura, pela ciência, pela língua e pela liberdade.
    Parabéns!
    Sejam bem vindos!

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