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  1. A DESCENDÊNCIA DE TIRADENTES

    quinta-feira, 18 de agosto de 2011

    Maria Stela de O. Gomes - Patrono: Guimarães Rosa

    Próximo ao Arraial de Santa Rita do Rio Abaixo, em uma fazenda no distrito de Pombal, nasceu Tiradentes em 1746, mas precisamente aos doze de novembro. Seus pais eram proprietários rurais e ele era o quarto dos sete filhos do casal. Não teve o afeto e a segurança dos pais que morreram, deixando nosso herói e seus irmãos aos cuidados de padrinhos e conhecidos. Sua sorte marcadamente dramática o penalizou com a pobreza, pois os bens deixados pelos genitores foram arrematados para sanar dívidas familiares.
    Cresceu solitário, embora idealista e sonhador. Ao se tornar órfão ficou sob a tutela de um padrinho que era cirurgião. Dentre as inúmeras profissões que exerceu foi a de dentista que lhe valeu o apelido de Tiradentes. Ainda jovem alistou-se na carreira militar como alferes, e por isso, e devido ao seu sacrifício, em prol da liberdade, tornou-se o patrono dos militares. Devido ao seu gênio e ao seu envolvimento com a Inconfidência Mineira, a vida de Tiradentes ganhou sentido ao lutar contra o poder constituído, indo de encontro aos opressores do Brasil que cobravam injustamente impostos para a metrópole, em prejuízo dos brasileiros cada vez mais esquecidos e mais miseráveis, nos rincões deste país.
    Várias lendas cercam o mito deste homem, envolvendo-o numa área de mistério em que casos e mais casos tentam retirar alguns resquícios de sua vida pessoal para o estudo na atualidade. Segundo narrativas populares nosso herói destacava-se pelos traços fortes, grande estatura e voz vibrante e carismática. Audacioso, impulsivo, expressava seu sentimento de revolta sem reservas, sendo identificado como um dos mais “perigosos”, segundo os autos da devassa, fato que o teria levado à morte por enforcamento a mando de D. Maria Primeira.
    Sua obstinação e sua coragem tornaram-se conhecidas por meio da lenda do Embuçado. De acordo com seus narradores, os inconfidentes e Tiradentes foram avisados, certa noite, da traição de Joaquim Silvério dos Reis, por um sujeito encapuzado, numa veste preta que teria avisado às futuras vítimas o que lhes aguardava. Tiradentes foi um dos que rechaçou a ideia de fuga.
    Jamais se casara. Contudo, sua vida pessoal estaria ligada a alguns amores, não expostos, publicamente. Teve, com Antonia Maria do Espírito Santo, uma filha que recebeu na pia batismal, o nome de Joaquina da Silva Xavier. Os dois morreram pobres, devido à ação da Coroa Portuguesa.
    Ainda se pode citar, mesmo sem documentação comprobatória, um casal de filhos que ele tivera com Eugênia Joaquina da Silva.
    A filha morreu prematuramente, e o filho, João de Almeida Beltrão sobreviveu e para fugir à maldição lançada aos descendentes de Tiradentes, foi adotado por um comerciante. Deixou grande geração, tendo oito filhos.
    Em arquivo público encontra-se o processo de Antônia Maria que afirma ser filha legítima de José Joaquim e sua única descendente direta, fato comprovado através de documentos. Em tal processo ela solicita a posse de um escravo que teria sido dado a ela por Tiradentes, embora este tenha sido confiscado após a morte do Alferes.
    Outros fatos que ligam Tiradentes aos seus descendentes é a história de um de seus netos que trocou o seu sobrenome Silva Xavier para Zica, a fim de escapar da perseguição da Coroa.
    Na atualidade, alguns de seus descendentes exigem pensão especial do INSS, como sua tetra neta, Lucia de Oliveira Menezes, membro da quinta geração que recebe uma pensão mensal de R$ 200,00 (duzentos reais). O aparecimento dos tetra netos de Tiradentes suscitou grande curiosidade por parte da Imprensa e da população, de maneira geral. Pode-se afirmar que um homem não morre quando tem um ideal, ficando seu exemplo na história e no tempo.
    Para ilustrara sua história,o fragmento do livro, Romanceiro da Inconfidência,de Cecília Meireles sobre o grande herói da Inconfidência Mineira:


    Do caminho da Forca

    “Os militares, o clero,
    Os meirinhos, os fidalgos
    Que o conheciam das ruas,
    Das igrejas e do teatro,
    Das lojas dos mercadores
    E até da sala do Paço;
    E as donas mais as donzelas
    Que nunca o tinham mirado,
    Os meninos e os ciganos,
    As mulatas e os escravos,
    Os cirurgiões e algebristas,
    Leprosos e encarangados,
    E aqueles que foram doentes
    E que ele havia curado
    -agora estão vendo ao longe,
    De longe escutando o passo
    Do Alferes que vai à forca,
    Levando ao peito o baraço,
    Levando ao pensamento
    Caras, palavras e fatos:
    As promessas, as mentiras,
    Línguas vis, amigos falsos
    Coronéis, contrabandistas,
    Ermitões e potentados,
    Estalagens, vozes, sombras,
    Adeuses, rios, cavalos...”

  2. 4 comentários:

    1. Unknown disse...

      Tiradentes o único herói brasileiro

    2. Unknown disse...

      Tiradentes o único herói brasileiro

    3. Fabíola Lins disse...

      A ignorância antigamente usava coroa!

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